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Eventos Culturais

Workshop de Vinhos Espanhóis (Salão Nobre do CR Flamengo)

Expo Casimiro de Abreu 2019 – Zezé di Camargo e Luciano – O Costelão

“Minha Vida Daria um Bolero” – Teatro Vannucci (Shopping da Gávea)

“Corinthians do Ary Vidal”, na Livraria da Travessa (Ipanema)

 

Vox Lux (New York City Center – sala 09 Vip)

Celeste (Natalie Portman) é uma menina que sobrevive após uma grande tragédia, o que a torna conhecida nacionalmente. Após um tempo, ela se lança como cantora e alcança o estrelato.

 

Ator de filmes como Violência GratuitaMelancolia e Acima das NuvensBrady Corbet vem se aventurando na direção nos últimos tempos. Em 2015, lançou A Infância de Um Líder, estrelado por Bérénice Bejo e premiado no Festival de Veneza daquele ano. Agora, com apenas 30 anos, chega com Vox Lux.

Os dois projetos como diretor e roteirista mostram que Corbet é um nome ambicioso e com coisas a dizer. Mas também, especialmente o novo filme, mostram que ainda conta com vícios de um jovem realizador. Vox Lux, por exemplo, conta com uma premissa intrigante, um elenco talentoso, um design de produção incrivelmente pensado, mas também é vazia em muitos sentidos.

O longa conta a história de ascensão de uma jovem estrela da música pop, desde o início da carreira impulsionado por uma tragédia ao auge dos problemas com a imprensa, o alcoolismo e o temperamento quente.

Estruturalmente, o filme conta com uma série de problemas. É dividido em capítulos e usa muito de saltos temporais. Com isso, acaba pulando partes da vida da cantora que são mais relevantes do que os vistos em cena. Assim, temos referências em falas sobre o que aconteceu com ela, mas acompanhamos a mesma em momentos mais ordinários.

O título, a trilha instrumental e a ótima narração de Willem Dafoe dão à obra um caráter quase religioso e impactante, mas o mesmo não se pode dizer do restante das cenas. Raffey Cassidy e Natalie Portman dividem o papel da protagonista Celeste na infância e na vida adulta. E também praticamente dividem o tempo em cena. Quem for esperando um filme só com Natalie Portman, vai se surpreender com a demora para aparecer na tela.

Jude LawJennifer Ehle e Stacy Martin completam o elenco da produção. Todos estão bem, mas sem um grande destaque. Acaba que quem chama mais a atenção é mesmo Portman, que ganha um grande número musical na parte final. Ela canta e dança muito, então deixa uma última boa impressão, mas também não é nada que já não tinha feito antes. Visualmente, acaba lembrando um pouco o trabalho em Cisne Negro, mas sem o mesmo impacto.

Produzido pela cantora Sia, que ajudou Portman na composição da personagem, Vox Lux é uma obra mais peculiar do que propriamente boa. Ainda assim, tem seus valores e nunca é tediosa.

Filme visto durante o Festival de Toronto, em setembro de 2018.

NEW YORK, NY – FEBRUARY 28: Natalie Portman and Rassey Cassidy on the set of ‘Vox Lux’ on February 28, 2018 in New York City. (Photo by Gotham/GC Images)

Vingadores: Guerra Infinita (Now)

Thanos (Josh Brolin) enfim chega à Terra, disposto a reunir as Joias do Infinito. Para enfrentá-lo, os Vingadores precisam unir forças com os Guardiões da Galáxia, ao mesmo tempo em que lidam com desavenças entre alguns de seus integrantes.

 

Chegou o aguardado momento. Lançado em 2012, Os Vingadores – The Avengers marcou o primeiro grande encontro dos heróis do Universo Cinematográfico da Marvel. Ali, nos deparamos com Homem de Ferro, Thor, Capitão América, Hulk, Viúva Negra, Gavião Arqueiro. Três anos depois foi a vez de Vingadores: Era de Ultron, que contou com a adição de Feiticeira Escarlate, Mercúrio, Visão e Máquina de Combate. Agora, passados mais três anos, temos Guerra Infinita e um número de heróis que até constrange os dois primeiros filmes.

Após entrarem na franquia fazendo barulho com Capitão América 2 – O Soldado Invernal e Capitão América: Guerra Civil, os diretores Joe Russo e Anthony Russo agora assumiram o posto de responsáveis pela maior marca do Universo Marvel: Os Vingadores. E eles não decepcionaram. O desafio de Guerra Civil, de colocar vários heróis em um mesmo espaço, agora é ainda mais elevado, uma vez que temos vários espaços diferentes.

Guerra Infinita retrata a empreitada definitiva de Thanos em busca das Joias do Infinito. Além de tentar descobrir onde se encontra a Joia da Alma, ele divide seu time em busca das restantes, sendo que duas estão na Terra. Sem entrar em maiores detalhes, a interessante como o filme consegue dividir sua narrativa por diversos pontos da galáxia, algo que ainda não havia acontecido.

Ainda que falhe em apresentar melhor os membros da Ordem Negra, o filme tem como grande mérito o seu vilão. Pode parecer estranho falar isso em um filme com mais de 20 heróis, mas é Thanos que rouba a cena. Graças aos efeitos visuais que melhoraram muito desde a primeira ponta do personagem em Os Vingadores e a uma grande atuação/trabalho de voz de Josh Brolin. Ao contrário do que temos normalmente nos filmes da Marvel (salvo Loki e Killmonger), aqui estamos diante de um antagonista com profundidade e até mesmo humanizado. Sua missão é inaceitável, mas não é impossível se relacionar com sua jornada e, principalmente, com sua dor.

Seguindo falando de Thanos, o filme se preocupa até em mostrar um pouco de sua história pregressa, especialmente com relação às filhas Gamora e Nebula. As interações do personagem com os heróis também são sempre interessantes e bem desenvolvidas. Não é mais um vilão genérico que será esquecido daqui a alguns dias.

Do lado dos heróis, o principal destaque é Thor, que assume uma posição central na história, e sem o peso cômico visto em Thor: Ragnarok. A divisão de tempo entre os heróis (ou núcleo de heróis) é bem feita, mas alguns acabam pouco aproveitados, como Viúva Negra, Pantera Negra e até mesmo o Capitão América. Tony Stark segue roubando a cena e o Homem-Aranha é o principal alívio cômico, e funciona.

Com um final apoteótico e obscuro, o longa abre caminho não apenas para Vingadores 4, mas também para outras produções do estúdio. Guerra Infinita é entretenimento de primeira qualidade e com uma escala raramente vista na tela grande. Nem tudo funciona, é bem verdade. Há certa frustração com o ápice da história e com o fato de que o filme não consegue entregar nada tão empolgante quanto a cena do aeroporto de Guerra Civil.

Mas o principal mérito dos Russo está em unir todo mundo num mesmo filme. Usando uma metáfora óbvia de carnaval, podemos dizer que eles receberam nota dez em harmonia. Tudo funciona em sintonia e as transições de núcleos são bem interessantes. O núcleo de Guardiões da Galáxia traz músicas e cores no estilo da produção e o mesmo acontece quando a ação vai parar em Wakanda.

Vingadores 3 acerta, inclusive, no uso de sua cena pós-crédito. Não há a utilização saturada de Guardiões Vol. 2. Temos apenas uma cena. E uma cena importante, que abre portas para o futuro e deixa um gostinho de quero mais. Um filme com um final impactante não merece várias cenas de piadinhas durante os créditos e, felizmente, isso não ocorre.

Mesmo sendo o filme mais longo da Marvel, com quase duas horas e meia de duração, Avengers: Infinity War (no original) não possui problemas de ritmo. Na verdade, quando acaba, a sensação é de poderíamos ficar ali mais um tempinho. Infelizmente, teremos que esperar até 2019.

Ilha dos Cachorros (Now)

Para Wes Anderson, o mundo sempre foi um lugar perigoso e tudo está sempre em mudança. Desde o seu primeiro longa-metragem, Pura Adrenalina (1996), o diretor texano se propôs a mostrar vidas ou mundos em transformação. Pouco interessando em narrativas isoladas ou imediatistas, ele investiga a linha do tempo de seus personagens, mesclando biografias e crônicas disfarçadas com dois tipos de drama ligados à maturidade: a fuga e a busca. Em Ilha dos Cachorros (2018), segundo filme de animação stop-motion do diretor, depois do excelente O Fantástico Sr. Raposo (2009), essas duas características centrais se unem em uma história levemente futurista que tem em foco a corrupção governista e corporativa criando doenças, medo, preconceito e gerando segregação entre humanos e cachorros, numa medida arbitrária que atende aos interesses historicamente familiares do Prefeito Kobayashi (Kunichi Nomura) e de seu igualmente segregador lacaio Major-Domo (Akira Takayama).

O Arquipélago Japonês, 20 anos no futuro”. É assim que começa, com perfeita demarcação de tempo e espaço do roteiro, a narração central, após uma apresentação histórica e artística sobre o passado do Clã Kobayashi e seus declarados problemas com cachorros. Uma grande família. Um grande clã. Contra uma espécie inteira, considerada suja e inferior, em detrimento de outra, os adorados, limpos e dignos gatos. Soa familiar? Para contar essa saga repleta de camadas em termos políticos e sociológicos, o diretor e roteirista definiu um local existente com um status não-existente — ou seja, não estamos falando exatamente do Japão, mas de um Estado derivado deste, após uma torrente de tragédias naturais — e em um tempo adequado a qualquer ponto de partida, já que “20 anos no futuro” é algo sempre atual, não importando em que ano o filme é visto. Isso em mente, é possível incorporar as mais diversas visões intencionais do diretor aqui, seja a leitura anti-Trump, a jornada do herói com pitadas existencialistas ou a crítica a todo tipo de preconceito e lavagem cerebral ideológica para convencer as massas a odiarem algo… Todas as interpretações neste caso são enriquecedoras.

Desde a pré-produção, Anderson deixou claro as suas influências centrais para a concepção desta melancólica e reflexiva animação sobre abandono, lealdade, criação de laços e importância de se colocar contra ordens — quaisquer que sejam — que através de grandes poderes tentam separar e matar diferentes, culpando-os de “mau comportamento”, “sujeira”, “doenças” e “degradação da sociedade”. Para a composição familiar do enredo, o diretor se basou nas lembranças de infância dos Especiais de Natal em stop-motion da Rankin/Bass Productions, que passava na televisão. Já os aspectos mais bojudos de construção dramática para os núcleos de perseguidos e perseguidores, o diretor trouxe coisas de The End of Evangelion (1997), Porco Rosso: O Último Herói Romântico (1992) e Akira (1988), sendo, pois, a cultura japonesa um elemento essencial para aquilo que ele pretendia retratar.

Em certos ciclos, esta escolha gerou algo próximo de uma polêmica, que aponta o tratamento dado pelo cineasta à cultura e ao idioma japonês como sendo algo secundário, minimizado, “apropriado”, seja lá o que essas declarações querem dizer. O fato é que, ignorado o delírio cômico de certos cinéfilos e críticos (a propósito, gritam “preconceito” para o resultado pós-banho de um certo cão na história, sem ao menos se darem o trabalho de entender o filme ou compreender a homenagem do diretor a Harry, The Dirty Dog), temos diante de nós não só mais uma fascinante fuga-e-busca construída com o recorrente apuro simétrico, de cores e estrutura milimétrica para a composição de cada plano que esperamos de Wes Anderson, mas também uma belíssima homenagem do diretor a um de seus grandes ídolos cinematográficos, o Mestre Akira Kurosawa.

E nós percebemos essa ligação desde os primeiros momentos da fita. Mesmo se estivéssemos de olhos fechados entenderíamos isso, pois a trilha sonora de Alexandre Desplat (recém-saído de uma safra com Baseado em Fatos ReaisValerian e a Cidade dos Mil Planetas e A Forma da Água) nos entrega o ouro. Criando linhas de percussão tipicamente japonesas, o compositor integrou frases orquestrais próprias, com forte peso em tubas, trompas, trombones, contrabaixos e cellos, para ligar algumas cenas à reprodução de trechos musicais diretamente retirados de O Anjo Embriagado (1948) e, o mais reconhecível de todos, Os Sete Samurais (1954), ambas as trilhas de Fumio Hayasaka, que inclusive foi o ponto de referência para as criações de Desplat.

Do lado político e notadamente moral, Anderson trouxe a essência de Céu e Inferno (1963), criando com isso todo o arco do Prefeito Kobayashi, expondo ainda um bônus visual de Cidadão Kane (1941) na forma como filmou as cenas de pôsteres políticos e discursos das noites de reeleição. O roteiro, no entanto, não se interessa pela investigação política em si, e isso já era esperado. A despeito dos sintomas segregacionistas que critica, Ilha dos Cachorros é focado na maneira como humanos e animais são afetados por atitudes extremas, pelo ódio, e é a partir desse ponto mais ou menos disfarçado que emana o bloco científico (que infelizmente se perde um pouco do meio para o fim); a imprensa; o lado tecnológico e corporativo a serviço do Estado (que começa bem, mas é responsável por um pedaço bem arrastado do filme, que mesmo fazendo parte da busca prometida pelo roteiro, não acrescenta muita coisa); e por fim, o prefeito, Major-Domo e suas ideias preconceituosas e de extermínio, um bloco que cumpre bem o seu papel na construção da vilania (social, moral ou familiar, todas sólidas), mas se encerra de modo melodramático demais, praticamente traindo a essência do personagem.

Trabalhando majoritariamente com a equipe de Sr. Raposo (um “pequeno time” de 670 pessoas que proveram, para este longa, 130.000 sequências de fotografia) Anderson conseguiu mais uma vez mostrar inventividade e excelência técnica, mesmo ao trabalhar um tema que não é novo em animações (vide Os Cães Plagueados) mas que sob o seu olhar, recebe a grandeza e o encanto que não deixa de impressionar o público. Suas exibições visuais aqui contam com cenários que se alteram em travellings; variação marcante de ângulos iniciais para cada tipo de personagem — sua reimaginação de cenas de Os Homens Que Pisaram Na Cauda do Tigre durante a busca de Atari por seu cão Spots; de Yojimbo – O Guarda-Costas na sequência de luta, logo na abertura fabular da película; e de A Fortaleza Escondida sempre que Atari, Spots ou Chief são mostrados em grupo, merecem efusivos aplausos — e ocultação das cores vermelho e verde sempre que o ponto de vista é o de um cachorro. Raro encontrar um diretor que, hoje, que crie identidades estéticas e atmosferas tão íntimas e tão identificáveis como Wes Anderson cria para seus grupos de personagens.

Com um elenco estelar fazendo as vozes, dentre os quais merecem grande destaque Bryan Cranston (Chief), Edward Norton (Rex), Bill Murray (Boss), Frances McDormand (Intérprete Nelson), Scarlett Johansson (Nutmeg), Liev Schreiber (Spots) e Kunichi Nomura (Prefeito Kobayashi), Ilha dos Cachorros é uma animação que embrulha em cinismo a transformação de uma sociedade que, via fanatismo, se volta contra uma parte que sempre esteve com ela em casa, como funcionários, como amigos… E entre o sumô, o kabuki, o cinema de Kurosawa e o (às vezes caloroso) desalento contemporâneo ao olhar o que nos sobra das relações e da afetividade para com os outros, a obra nos isola para nos fazer refletir sobre o tema, criando uma aventura com personagens que arriscam muito para poder, em vez de separar ou matar “doentes”, curá-los de sua enfermidade, tendo ainda a clareza de perceber que nem todos vão querer ou poderão ser curados. Uma cachorrada política, familiar e pessoal visualmente estonteante.

Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs) — EUA, 2018
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson, Roman Coppola, Jason Schwartzman, Kunichi Nomura
Elenco: Bryan Cranston, Koyu Rankin, Edward Norton, Bob Balaban, Bill Murray, Jeff Goldblum, Kunichi Nomura, Akira Takayama, Greta Gerwig, Frances McDormand, Akira Ito, Scarlett Johansson, Harvey Keitel, F. Murray Abraham, Yoko Ono, Tilda Swinton, Ken Watanabe, Mari Natsuki, Fisher Stevens, Nijirô Murakami, Liev Schreiber, Courtney B. Vance, Satoshi Yamazaki, Gen Ueda, Anjelica Huston, Yôjirô Noda
Duração: 101 min.

Infiltrado na Klan (Sky Play)

Em 1978, Ron Stallworth (John David Washington), um policial negro do Colorado, conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan local. Ele se comunicava com os outros membros do grupo através de telefonemas e cartas, quando precisava estar fisicamente presente enviava um outro policial branco no seu lugar. Depois de meses de investigação, Ron se tornou o líder da seita, sendo responsável por sabotar uma série de linchamentos e outros crimes de ódio orquestrados pelos racistas.

Se não fosse uma história real, a trajetória de Ron Stallworth seria considerada absurda demais para os padrões da ficção de cinema. Mas este policial negro, um dos raríssimos na corporação norte-americana dos anos 1970, conseguiu com sucesso se infiltrar na Ku Kluk Klan e sabotá-la por dentro. Primeiro, ele efetuou longas trocas telefônicas com os líderes do grupo racista, para ganhar confiança. Depois, treinou um policial branco para interpretá-lo nas reuniões presenciais. Ron (John David Washington) e seu dublê Flip (Adam Driver) correram sérios riscos ao manipularem uma organização paranoica e fortemente armada. O diretor Spike Lee tem a bela iniciativa de construir uma farsa, ao invés do típico drama biográfico. Os nomes, locais e fatos principais são mantidos, mas o filme sabe rir de si mesmo, contemplar seus próprios absurdos. Além disso, estabelece paralelos com os dias atuais, demonstrando de que maneira o discurso da extrema-direita adotou uma aparência “democrática” para se infiltrar na política e eleger políticos em cargos importantes, o que teria culminado com a presidência de Donald Trump. Estamos no terreno do racismo velado, institucionalizado, do tipo que diz “Não tenho nada contra negros, contanto que fiquem entre eles”. É a violência travestida de liberdade de expressão.

 

 

O roteiro poderia constituir uma simples denúncia do discurso adverso. Felizmente, BlacKkKlansman revela uma quantidade considerável de nuances. A comédia encontra espaço para criticar o racismo na polícia, mas também para destacar nomes progressistas entre os policiais. Ela demonstra a potência e as limitações do discurso dos Panteras Negras, e consegue explorar diferentes vertentes dentro da Ku Klux Klan. Para completar, tem como personagem principal um homem de postura moderada, alheio às causas militantes. Para Ron, também, o caso se torna um aprendizado. Uma cena se destaca neste sentido: quando Flip Zimmerman, de origem judia, passa tempo demais na investigação, ele diz “Antes, eu não pensava sobre ser judeu. Agora, penso nisso o tempo todo”. A semente do espírito crítico está plantada.

 

Em termos de construção imagética, Spike Lee cria seu trabalho mais inspirado em longos anos. Com a imagem em formato scope, coloca os rostos negros no centro do enquadramento, efetua lentas aproximações durante os discursos políticos, em sinal de admiração e respeito, opta por eventuais planos angulados, para reforçar o estranhamento e o humor. Lee confere grande atenção às cenas de dança, à noção de grupo e comunidade, ou seja, à cultura de uma época. Para o cineasta, ser negro é mais do que uma questão racial, é também uma maneira de estar no mundo.

 

Paralelamente, o diretor evita vangloriar o herói e ridicularizar o adversário. Este é um filme que ataca ideias racistas, mais do que as pessoas racistas em si, e neste ponto encontra sua maior força política. Para completar o discurso, BlacKkKlansman ataca o cinema segregacionista, cujo principal ícone é O Nascimento de uma Nação (1915), e aponta os estereótipos reforçados pelo cinema de blaxploitation americano. É impressionante como, dentro de uma comédia hilária e agradável, os produtores Spike Lee e Jordan Peele conseguem debater questões tão complexas, enquanto adotam um posicionamento político inequívoco.

 

 

No elenco, John David Washington está muito inspirado, transmitindo diferentes níveis de deboche ou raiva diante dos inimigos, e Adam Driver continua funcionando como coringa do baralho atual de Hollywood, adaptando-se a papéis quase paródicos com uma naturalidade ímpar. Topher Grace, de corpo frágil e olhar doce, é uma escolha curiosa para o líder fascista David Duke, mas funciona na tentativa de desconstruir o caráter maligno do discurso adverso. De certo modo, todos os personagens interpretam outras pessoas: o negro se passa por branco, o branco interpreta um negro, o fascista encarna o tipo tolerante. É nesta ficção dentro da ficção que o filme encontra sua força e torna-se uma importante comédia política, do tipo que o circuito comercial precisa cada vez mais.

 

Infelizmente, os últimos minutos da projeção tornam explícito aquilo que já estava suficientemente claro. Quando uma ficção biográfica recorre a imagens de arquivo na conclusão, ela insiste na veracidade de seu discurso, como se não acreditasse na potência de sua própria narrativa, e supõe que o espectador não tenha compreendido a mensagem, precisando de um último esforço didático. Trata-se do momento mais fraco do projeto, mas não retira os méritos deste entretenimento de alta qualidade.

 

Filme visto no 71º Festival Internacional de Cannes, em maio de 2018.

Mandatory Credit: Photo by IAN LANGSDON/EPA-EFE/REX/Shutterstock (9671102cr)
US director Spike Lee arrives for the screening of ‘BlacKkKlansman’ during the 71st annual Cannes Film Festival, in Cannes, France, 14 May 2018. The movie is presented in the Official Competition of the festival which runs from 08 to 19 May.
BlacKkKlansman Premiere – 71st Cannes Film Festival, France – 14 May 2018

 

The Goodwife (1a temporada – box)

The Good Wife é um série de televisão estadunidense que estreou na CBS em 22 de setembro de 2009.[1] Criado por Robert King e Michelle King, os mesmos criadores de In Justice, é estrelado por Julianna Margulies, Christine Baranski e Chris Noth em um papel recorrente. Robert e Michelle produzem o seriado ao lado dos irmãos Ridley e Tony Scott, Charles McDougall e David W. Zucker.[2] Em 7 de outubro de 2009, a CBS renovou o seriado para uma temporada completa, estendendo a primeira temporada de 13 para 23 episódios. No Brasil, o seriado estreou em 9 de novembro de 2009 no Universal Channel. O programa foi recebido com grande quantidade de elogios de críticos e com inúmeros prêmios.

Em 7 de fevereiro de 2016, a emissora CBS anunciou por meio de um comercial durante o intervalo do Super Bowl que a sétima temporada seria a última da série. O último episódio foi ao ar em 7 de maio de 2016.[3]

Um remake sul coreano foi exibido pelo canal tvN em 2016.

A série centra-se em Alicia Florrick (Julianna Margulies), cujo marido Peter Florrick (Chris Noth), promotor do estado de Condado de Cook, foi preso depois de um escândalo envolvendo sexo com prostitutas e corrupção. Depois de ter passado 13 anos como uma mãe atenciosa e dona-de-casa, Alicia retorna ao seu antigo trabalho como advogada – devido a prisão do marido – e fica com a responsabilidade de criar os seus dois filhos.[4] A série foi parcialmente inspirado no escândalo de prostituição envolvendo o ex-governador de Nova Iorque, Eliot Spitzer,[5] bem como outros escândalos sexuais proveniente de políticos norte-americanos, particularmente os de John Edwards e Bill Clinton

Personagens e elenco
Os Florrick
Alicia Florrick (Julianna Margulies) – a esposa de um decadente promotor; Alicia retorna ao seu antigo trabalho de advogada júnior. Ela tenta conciliar sua vida profissional e familiar com o escândalo envolvendo seu marido. No meio do escândalo que sua vida se torna, Alicia volta a sentir interesse amoroso pelo seu chefe, Will Gardner, que estudou com ela na mesma universidade e foram namorados.
Peter Florrick (Chris Noth) – marido de Alicia, promotor do Condado de Cook e atual governador de Chicago. Passou um período preso devido a um suposto escândalo de corrupção, porém mais tarde é novamente eleito promotor e governador posteriormente.
Grace Florrick (Makenzie Vega) – filha de Alicia e Peter Florrick. Extremamente religiosa e aspirante à ativista dos Direitos Humanos. Sonha em ser advogada como a mãe.
Zachary “Zach” Florrick (Graham Phillips) – filho de Alicia e Peter Florrick. É um geek genuíno. Já ajudou diversas vezes à mãe a resolver alguns casos na L&G
Jackie Florrick (Mary Beth Peil) – mãe de Peter e sogra de Alicia. Jackie não acredita que o filho seja culpado e acredita que Alicia e Peter irão se reunir e formar uma família novamente. Ela tenta, em várias ocasiões, conseguir que os netos visitem o pai na cadeia
Lockhart & Gardner
Will Gardner (Josh Charles) – É um dos sócios de um prestigioso escritório de advocacia, Stern/Lockhart & Gardner, e um dos melhores advogados de Chicago. Foi amigo e é apaixonado por Alicia desde a faculdade, ajudou Alicia recomeçar a carreira depois do escândalo com o marido. E Will a Alicia tiveram um romance na terceira temporada. Desenvolve um desgosto por Alicia após descobrir que ela fundou um escritório por suas costas, acreditando que ela tentara roubar seus clientes.
Diane Lockhart (Christine Baranski) – sócia sênior do escritório de advocacia que contrata Alicia. Fina, virtuosa e inteligente. Diane é taxativa e eficaz no que faz, sempre fechando os casos com elegância e graça.
Kalinda Sharma (Archie Panjabi) – a investigadora particular da firma. Kalinda havia trabalhado anteriormente com Peter Florrick, que a demitiu
David Lee (Zach Grenier) – um advogado excêntrico e perspicaz. Extremamente focado no dinheiro, David Lee é implacável em suas tentativas de ganhar casos e atingir seus objetivos de formas nada ortodoxas.
Cary Agos (Matt Czuchry) – um advogado júnior, admitido na mesma época que Alicia. No primeiro episódio é dito que só há uma vaga permanente para o cargo, colocando Cary em competição com Alicia. Só que Alicia ganha a competição e Cary vira promotor. Após algum tempo Cary volta para a Lockhart & Gardner e monta um motim para roubar os clientes da firma e montar a Florrick/Agos & Associados.
Promotoria do condado de Cook
Glenn Childs (Titus Welliver) – ex-promotor do Condado de Cook. Foi o responsável pelo vazamento da fita de sexo de Peter Florrick à imprensa
Matan Brody (Chris Butler) – um dos promotores do Condado que foi contratado por Peter quando ele ainda era o Promotor
James Castro (Michael Cerveris) – Atual promotor do condado de Cook.
Equipe de Peter Florrick
Eli Gold (Alan Cumming) – chefe da campanha de Peter para o posto de promotor
Elsbeth Tascioni (Carrie Preston) – advogada de Peter em substituição a Daniel Golden, que assumiu um posto no governo do presidente Barack Obama
Kya Poole (Francie Swift) – assessora responsável pela imagem de Peter
Daniel Golden (Joe Morton) – advogado e um dos membros da equipe de Peter
Outros
Detetive Anthony Burton (James Carpinello) – detetive de homicídios da polícia local com ligações amorosas com Kalinda
Agente Lana Delaney (Jill Flint) – agente do FBI que ajudou Kalinda em algumas investigações
Louis Canning (Michael J. Fox) – Canning é um advogado rival que tem sido o conselheiro de oposição para Alicia em vários casos. Canning é afligido com discinesia tardia, o que muitas vezes ele usa para angariar simpatia com os juízes, júris, e testemunhas.

“Targets” — Alicia joins a secret panel of attorneys advising the U.S. government on a controversial case. Also, Eli hires Elsbeth Tascioni (Carrie Preston) to uncover why the FBI is targeting Peter, on THE GOOD WIFE, Sunday, Feb. 21 (9:00-10:00 PM, ET/PT) on the CBS Television Network. Julianna Margulies as Alicia Florrick Photo: Jeff Neumann/CBS ©2015 CBS Broadcasting, Inc. All Rights Reserved

The Handsmaid’s Tale (Netflix)

The Handmaid’s Tale (O Conto da Aia BRA ) é uma série de televisão estadunidense criada por Bruce Miller, baseado no romance homônimo de 1985 da escritora canadense Margaret Atwood sobre a distopia de Gileade, encomendada pelo serviço de streaming Hulu, para produção de 10 episódios, com produção no final de 2016.

Os três primeiros episódios da série estrearam em 26 de abril de 2017, com os subsequentes sete episódios adicionados semanalmente a cada quarta-feira. Em maio de 2017, foi renovada para uma segunda temporada, que estreou em 25 de abril de 2018.

A terceira temporada tem data de lançamento em 5 de junho, com exibição dos três primeiros episódios. Novos capítulos serão disponibilizados semanalmente, às quartas-feiras, pelo Hulu. Esta temporada tem 13 episódios encomendados pela Hulu.

The Handmaid’s Tale venceu os prêmios de Programa do Ano e Série Dramática no Television Critics Association e oito Prémios Emmy do Primetime, incluindo Melhor Série Dramática, em 2017.

Em um futuro próximo, as taxas de fertilidade caem em todo o mundo por conta da poluição e de doenças sexualmente transmissíveis. Em meio ao caos, o governo totalitário da República de Gileade, uma teonomia cristã, domina o que um dia foi um território dos Estados Unidos, em meio a uma guerra civil ainda em curso. A sociedade é organizada por líderes sedentos por poder ao longo de um regime novo, militarizado, hierárquico e fanático, com novas castas sociais, nas quais as mulheres são brutalmente subjugadas e, por lei, não têm permissão para trabalhar, possuir propriedades, controlar dinheiro ou até mesmo ler. A infertilidade mundial resultou no recrutamento das poucas mulheres fecundas remanescentes em Gileade, chamadas de “aias” (Handmaid), de acordo com uma interpretação extremista dos contos bíblicos. Elas são designadas para as casas da elite governante, onde devem se submeter a estupros ritualizados com seus mestres masculinos para engravidar e ter filhos para aqueles homens e suas respectivas esposas.

June Osborne, renomeada como Offred (De Fred) (Elisabeth Moss), é a aia atribuída à casa do Comandante Fred Waterford (Joseph Fiennes) e de sua esposa Serena Joy Waterford (Yvonne Strahovski). Ela está sujeita às regras mais rigorosas e uma vigilância constante; uma palavra ou ação imprópria de sua parte pode levar a sua execução. Offred, que tem o nome de seu mestre masculino assim como todas as aias, pode se lembrar do “tempo de antes”, quando era casada, com uma filha e tinha seu próprio nome e identidade, mas tudo o que ela pode fazer com segurança agora é seguir as regras de Gileade na esperança de que algum dia possa viver livre e se reunir com sua filha novamente. Os Waterfords, principais atores no surgimento da República de Gileade, têm seus próprios conflitos com as realidades da sociedade que ajudaram a criar.

Elenco
Principal
Elisabeth Moss como June Osborne/Offred, uma mulher que é capturada na tentativa de fugir para o Canadá com seu marido, Luke, e sua filha, Hannah. Devido a ser fértil, ela vira uma aia do Comandante Fred Waterford e sua esposa, Serena Joy, e renomeada a “Offred”.
Joseph Fiennes como o Comandante Fred Waterford, um oficial do governo de alto escalão e o mestre de Offred, que secretamente se encontra com ela para estabelecer uma conexão na esperança de que ela não se mate como sua antecessora. Tanto ele quanto sua esposa desempenharam um papel instrumental na fundação da Gileade.
Yvonne Strahovski como Serena Joy Waterford, esposa de Fred e ex-ativista cultural conservadora que parece ter aceitado seu novo papel limitado em uma sociedade que ela ajudou a criar. Capaz de grande crueldade, ela quer desesperadamente se tornar uma mãe.
Alexis Bledel como Emily/Ofglen (mais tarde, Ofsteven), parceira comercial de Offred. Ela é considerada uma “traidora de gênero” (um termo usado em Gileade em referência à homossexualidade) e conhece um movimento de resistência chamado Mayday.
Madeline Brewer como Janine/Ofwarren (mais tarde Ofdaniel), uma serva com uma psique frágil que teve seu olho direito removido como punição por mau comportamento. Ela está convencida de que seu Comandante realmente a ama e que ele quer fugir com ela e começar uma família.
Ann Dowd como tia Lydia, instrutora e guardiã brutal das Handmaids. No entanto, ela parece desenvolver um gosto por Janine/Ofwarren.
O. T. Fagbenle como Luke Bankole, marido de June antes de Gileade e pai de sua filha Hannah. Como June é sua segunda esposa, sua união é considerada inválida na nova sociedade e Hannah para ser ilegítima.
Max Minghella como Nick Blaine, motorista do Comandante Waterford e um ex-vagabundo de Michigan que desenvolve sentimentos por Offred.
Samira Wiley como Moira, a melhor amiga de June desde a faculdade. Com a ajuda de June, ela é capaz de escapar de sua vida de serva, mas finalmente trabalha em um dos numerosos castigos não oficiais de Gileade como um “Jezebel” chamado Ruby. Ela parece ter desistido da vontade de escapar de Gileade até June dar-lhe forças para escapar de novo.

Elisabeth Moss as Offred