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Eventos Culturais

Tudo Por Um Popstar (Now)

A Esposa

Joan Castleman (Glenn Close) é casada com um homem controlador e que não sabe como cuidar de si mesmo ou de outra pessoa. Ele é um escritor e está prestes a receber um Prêmio Nobel de literatura. Joan, que passou 40 anos ignorando seus talentos literários para valorizar a carreira do marido, decide abandoná-lo.

Pode demorar um pouco para o espectador perceber o que faz de Joan (Glenn Close) a personagem principal deste filme. Afinal, tudo parece girar em torno do marido, o prestigioso escritor Joe Castleman (Jonathan Pryce): é ele que acaba de ganhar um Nobel de Literatura, é ele que recebe os elogios e congratulações. À esposa, cabe acompanhá-lo como uma sombra, cumprimentando elegantemente os outros homens nas festas e reuniões. Mesmo assim, a imagem insiste em se focar no rosto dela enquanto o marido discursa. Quando ele descobre a notícia do prêmio, é a face dela que presenciamos, escutando a novidade pela extensão do telefone. A trama prefere se concentrar nos coadjuvantes, nas figuras de exceção.

 

A primeira metade é dedicada à dinâmica do casal, junto do filho David (Max Irons), aspirante a escritor. Esta parte, a mais potente do filme, efetua uma ótima investigação psicológica, mergulhando no caldeirão de ciúme, inveja, arrogância e falsas aparências que marca o pequeno núcleo de intelectuais. Os bons diálogos dão conta de mostrar como o caráter prestativo da esposa se transforma em submissão, como os agradecimentos pomposos do marido à sua “musa” soam pedantes e, como a admiração do filho pelo pai esconde uma raiva de ser comparado a ele. Essas pessoas se amam e se odeiam em igual medida, algo transmitido através constrangimentos em público e desconforto diante das regras sociais e códigos de etiqueta.

 

 

Os atores auxiliam muito nesse processo. Glenn Close, conhecida por tantos papéis extrovertidos e furiosos, oferece uma atuação contida, mas jamais vazia: cada expressão silenciosa ao lado do marido carrega uma infinidade de sentimentos, que se transformam ao longo da trama. A variação que Close traz à personagem garante a força necessária à sustentação da narrativa. Jonathan Pryce, igualmente habilidoso, evita transformar seu personagem em vilão, navegando entre a ternura e a grandiloquência com desenvoltura. Apenas Max Irons, mais fraco que os colegas de cena, encontra dificuldades em criar um arco dramático para o emburrado David. Mesmo rumo ao final, quando o filho descobre informações importantes sobre os pais, o jovem ator não trabalha a contento o choque emocional.

 

Apesar de ser um estudo sofisticado sobre os meios intelectuais, dissecando o papel das mulheres num ambiente machista, A Esposa é prejudicado por algumas escolhas de roteiro e direção. Primeiro, a adaptação do livro “The Wife”, de Meg Wolitzer, oculta durante muito tempo um segredo previsível. Na hora de enfim revelá-lo, o impacto esperado não se produz devido à obviedade do conflito, que termina por transformar o belo drama num suspense de soluções fáceis, vistas inúmeras vezes em outros exemplares do gênero. Além disso, o retrato da opressão é construído através de flashbacks burocráticos, que ilustram o machismo sem necessariamente criticá-lo. Mesmo ao fim, quando a verdade vem à tona, é surpreendente o modo como a narrativa impede a emancipação da personagem oprimida.

 

 

Além disso, o diretor Björn Runge demonstra uma cartilha limitada de recursos cinematográficos. A câmera se limita a acompanhar personagens, filmando rostos ou corpos de acordo com a necessidade de cada cena. É obviamente tentador colar a câmera ao rosto de atores talentosos como Glenn Close e Jonathan Pryce, mas isso impede qualquer construção poética, metafórica, qualquer investigação visual – como fez François Ozon em O Amante Duplo, outra investigação psicológica, de fundo erótico, sobre as relações de dominação entre homens e mulheres. Os planos focados no rosto da esposa calada são eficazes, porém insuficientes para imprimir maior relevo às imagens, que se sucedem numa superficialidade inabalável.

 

O espaço dos hotéis, a viagem a uma cidade desconhecida e o contato com a língua estrangeira pareciam o contexto perfeito para reforçar o desconforto de Joan e David. No entanto, estes elementos permanecem na condição de cenários, planos de fundo jamais explorados pela direção, que filma os quartos e palácios como meros estúdios de cinema. Mesmo assim, com todas as ressalvas – que incluiriam mais uma relação predatória, envolvendo o personagem de Christian Slater, da qual Joan precisa se esquivar – o saldo de A Esposa é positivo por encarar de modo frontal a questão da masculinidade e da perenidade dos relacionamentos na terceira idade, permitindo à dupla de protagonistas demonstrar todo o seu leque de recursos dramáticos.

 

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Canal Brasil: O País do Cinema (com Andréia Horta) – “A Cidade Onde Envelheço”

A Cidade Onde Envelheço

Se cada país tem sua cultura e particularidades, inevitável é lidar com um certo choque ao viajar para outras localidades – e nem necessariamente precisa ser no exterior, vide as imensas diferenças existentes no próprio Brasil. Trata-se de uma sensação íntima de estranhamento, de não-pertencimento aquele lugar, por mais que esteja nele habituado e até mesmo adaptado. Algo que Caetano Veloso captou tão bem na canção “Sampa”:

“Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho”

A Cidade Onde Envelheço, novo trabalho da diretora Marília Rocha, trata justamente deste sentimento, retratado a partir de duas amigas portuguesas que decidem vir morar no Brasil. Uma delas já vive em Belo Horizonte há quase um ano, enquanto que a outra acaba de chegar. De personalidades quase antagônicas – Francisca gosta da solidão, é perfeccionista e mais séria, enquanto Teresa é espevitada e agitada -, elas de início se respeitam e, aos poucos, desenvolvem uma dinâmica mais próxima a partir da própria convivência e da compreensão das características da outra. É neste ponto que o longa brilha, intensamente.

Bastante delicado, o roteiro do longa-metragem oferece diálogos espirituosos e envolventes, de uma naturalidade impressionante. A natureza crítica de Francisca leva a alguns questionamentos sobre o modo de ser do brasileiro, no sentido do estranhamento do diferente tão bem citado por Caetano, mas sempre com uma leveza típica de um filme solar. Por outro lado, há também uma certa melancolia, retratada pela saudade de casa e o reconhecimento íntimo de que tal desconforto nada mais é do que a dificuldade de aceitar aquilo como seu.

A Cidade Onde Envelheço - FotoDiante de tamanha habilidade com sensações e palavras, A Cidade Onde Envelheço ainda conta com belas atuações de suas protagonistas: Francisca Manuel (Francisca) e Elizabete Francisca Santos (Teresa). Por mais que por vezes seja difícil compreender o sotaque português de ambas, elas demonstram uma desenvoltura que potencializa a proposta do roteiro.

Bastante sensível, A Cidade Onde Envelheço é um filme que fala sobre as opções de vida que assumimos. Se por um lado traz a alegria da descoberta pela vida em um novo ambiente, e a necessária adequação às suas particularidades, aborda intrinsecamente nossas origens, aquilo que nos tornou o que somos. Isto entremeado a situações brasileiras muito bem pontuadas, como a sinceridade malandra do divertidíssimo Neguinho (Wederson Neguinho), o cenário do rock alternativo em Belo Horizonte, o jogo de sinuca entre as amigas e a bela sequência pontuada pela canção de Jards Macalé. Um belo filme, para ver e refletir.

Toni Garrido (Rio Bossa Nossa – Praia de Ipanema) – 13 de janeiro de 2019

Tô de Graça (seriado – Multishow)

Tô de Graça é uma série produzida pelo canal Multishow e co-produzida pela Bossa Nova Produções em parceria com a Rede Globo, dirigida por Marco Rodrigo. [1] A primeira temporada estreou no dia 7 de novembro de 2017 e teve seu final no dia 04 de dezembro de 2017. [2] Rodrigo Sant’Anna também assinou o texto e a criação do programa. O programa foi tão aceito pelo público, que em 2018, estreou a peça sobre o programa. [3] No mesmo ano, estreou a segunda temporada no dia 30 de agosto. [4][5][6]

Conta com Rodrigo Sant’Anna, Andy Gercker, Evelyn Castro, Isabelle Marques, Roberta Rodrigues, Estevam Nabote, Gui Santana e Eliezer Motta nos principais papéis.

Dona Graça é uma mulher trabalhadora e bem humorada, que sustenta a família com o dinheiro que ganha como catadora de latinhas. Ela é mãe de 13 filhos, embora com ela morem apenas 6 – a barraqueira Sara Jane, o criativo Miqui Jegue, que sempre está em busca de criar algo para ganhar dinheiro, a esteticista Marraia Karenn, a adolescente rebelde Briti Sprite, o confuso Maico, que não sabe que quer da vida ainda, além de Pablo, que acabou de sair da cadeia.

No convício diário de Graça ainda estão o ex-marido Moacir, um desempregado que vive na sua aba, a amiga Geralda, o dono do bar Canário, o chefe do morro Miliciano, além da ex-patroa Abigail, que agora vive falida e fugindo dos credores. Na segunda temporada entram novos personagens, como Cráudio, que é disputado por Graça e Suellen, sua nova vizinha.

A série é baseada nas observações do cotidiano da vida de Rodrigo Sant’Anna e na vida de sua avó, uma dona de casa baiana chamada Adélia. [7] A série critica famosos e faz sátiras, mas com leveza. Sant’Anna interpreta a protagonista Graça, mãe de 13 filhos, catadora de latinhas e pedinte. Os filhos que ela não deu moram em sua casa, aparecendo em todas as temporadas. Eliezer Motta interpreta o marido de Graça, Moacir. Dhu Moraes e Jorge Maya aparecem também nas duas temporadas. Flávia Garrafa interpreta Abigail, ex-patroa de Graça, mas que depois de seu marido ser preso, se refugia na casa de Graça e passa a ser a empregada. Ela apareceu com regular na primeira temporada, mas como na série sua personagem é presa, ela volta como recorrente em alguns episódios da segunda temporada. Flávia não apareceu na terceira temporada, pois estava gravando a telenovela Espelho da Vida. Já Ernani Moraes, apareceu apenas na primeira temporada. Rafael Zulu, Rita Guedes e Edmilson Barros reforçaram o elenco da série em sua segunda temporada.

Tô de Graça – Teatro dos Grandes Atores (Barra Square Shopping Center)

Panair do Brasil (Canal Curta!)

O filme narra a história da companhia aérea brasileira Panair do Brasil, desde sua fundação, em 1929, até seu polêmico fechamento, em 1965, abordando ainda a união dos ex-funcionários até os dias de hoje. Conta com depoimentos, entre outros, de Arthur da Távola, Eduardo Suplicy, Milton Nascimento, Norma Bengell e Fernando Brant.

Lady Gaga “Five Foot Two” (Netflix)

O filme é, supostamente, um “mergulho profundo” na intimidade dessa figura “genial”, “misteriosa” e “fascinante”, mas, sendo um veículo de publicidade feito para vender a artista, não demonstra um pingo de senso crítico ou imparcialidade. Gaga passa o filme todo sendo paparicada e elogiada por um batalhão de puxa-sacos. A diva é mostrada como uma alma boa e calorosa – ela dá comida para cachorrinhos! Chora no batizado de um bebê! Debulha-se em lágrimas ao receber flores do ex-noivo! – tudo na frente das câmeras, claro, para máximo impacto melodramático.

Já vimos o documentário da Lady Gaga na Netflix, o dramático e vulnerável “Five Foot Two”

Sem maquiagem, descabelada e usando um shortinho, Lady Gaga aparece dando carinho e comida pros cachorros, depois dançando na cozinha com a família e se escondendo atrás da geladeira, muito incomodada com a invasão da câmera enquanto tenta aceitar a ideia de ser filmada. Não é novidade alguma para uma das maiores popstars dos últimos 10 anos ter uma equipe de filmagem a perseguindo, mas é que agora a estão mostrando como ela é, bem à vontade, sem produção, sem figurino, vestindo roupa de ficar em casa e rodeada de pessoas que a amam. Dá até pra ver Gaga ficando tímida (que choque!!!).

Assim começa “Gaga: Five Foot Two”, documentário dirigido por Chris Moukarbel que tem estreia marcada na Netflix para o dia 22 de setembro. O filme mostra esse registro sincero de uma Lady Gaga sem máscaras, muito direta e despida de glamour. Como o trabalho mais recente da cantora, o disco “Joanne”, Gaga está tranquilinha e dibouinha.

Se você está esperando por algo grandioso, espetaculoso, bafônico, um documentário que normalmente seria entregue por uma diva pop poderosa, pode esquecer. Não tem muito lacre.

Tem Gaga chorando, Gaga ansiosa, Gaga insegura, Gaga abraçando Mark Ronson e chorando, chorando com a avó, chorando com as dores que sente, chorando ao conhecer uma fã… É intenso.

Durante a 1 hora e 40 minutos do filme, Gaga aparece extremamente vulnerável, emotiva, mas também aceitando a alegria de agora finalmente conseguir lidar bem com sua imagem. Hoje, ela não precisa mais de telefone ou de lagosta na cabeça, ou da maquiagem exagerada ou da roupa de carne, que a ajudava a esconder quem ela era.

“Eu nunca me senti confortável o suficiente pra cantar e ser desse jeito que sou agora, de colocar meu cabelo pra trás“, diz a cantora num dos intervalos das gravações do disco, usando roupa preta, óculos, sem maquiagem e com um rabo de cavalo.

“Nunca me senti bonita ou inteligente o suficiente ou uma grande artista. Essa é a parte boa do agora. Eu não me sentia bem assim, mas agora sinto. De todas as coisas que eu mereço, essa é a melhor coisa, saber que eu valho alguma coisa e posso ficar tranquila.“

Gaga fazendo topless…
Tranquila meeeeesmo! Numa das minhas cenas favoritas do documentário, Gaga está numa reunião com três assessores: duas mulheres e um homem. À beira de sua piscina, na sua própria casa e curtindo um sol, Gaga aparece com o cachorro no colo e apenas vestindo a parte de baixo do biquíni. Com os seios à mostra, ela conversa com a empresária britânica dizendo estar cansada de todo mundo a ver sempre glamurosa, que viram isso acontecer por 10 anos. Gaga tá se despindo (nos dois sentidos) nesse filme.

Mesmo sem os vestidos, as caras e bocas e as apresentações apoteóticas que fizeram Gaga famosa no mundo inteiro, a gente nota claramente no documentário o poder da diva pop, dona de sua carreira, nas decisões que ela toma, sem medo algum, enquanto grava o álbum “Joanne” junto com Mark Ronson (e tem até algumas cenas com Florence!). A mesma liderança é notada nas filmagens do clipe de “Perfect Illusion” e da série “American Horror Story: Roanoke”.

Gaga pode parecer insegura, dramática e vulnerável na maioria das cenas, mas temos alguns bons momentos de alegria. É bizarro, mas a cantora aparece feliz e se divertindo quando está no domingo do Super Bowl, onde iria se apresentar para a maior audiência de TV dos EUA.

O que poderia ser um momento apreensivo, tenso e de concentração para a maioria dos artistas, não é nada disso para Gaga. Ela está segura de seu talento, louca pra mostrar o que sabe fazer e toda animada, zoando com todo mundo nos bastidores, recebendo Donatella Versace e fazendo piada com o jogo de futebol americano, citando o acidente com o seio de Janet Jackson e muito mais.

Madonna é citada duas vezes no documentário
Todo mundo aqui já ficou sabendo do que a Gaga falou da Madonna no filme, certo? Disse que era melhor a rainha do pop ter falado na cara dela que a achava um lixo em vez de dizer aquele “reductive” na televisão. Essa cena que já é famosa nem demora muito para acontecer. Rola nos primeiros nove minutos do documentário. Gaga diz que é italiana e que por isso prefere resolver as coisas assim, na lata, dizendo pra pessoa. E que por mais que ela respeite Madonna como performer, ela vacilou. “Podia ter me jogado na parede, me beijado e dito que sou um lixo“, diz Gaga.

Passado alguns minutos de documentário, Madonna é lembrada novamente por Gaga. Numa cena muuuuuuito tocante (fãs irão chorar), a cantora mostra para a mãe de Joanne, sua avó, a faixa que ela fez em homenagem à falecida tia, filha de sua avó paterna. Bem emocionante.

Mas aí, antes disso rolar, eles ficam revirando fotos da artista quando era adolescente que a avó tem guardadas na casa. Numa das imagens, Gaga aparece sorrindo com um diastema gigante nos dois dentes da frente e o pai conta que isso é a prova de que a filha usou aparelhos dentários. “Sim, se eu tivesse mantido esse buraco, ia ter ainda mais problemas com a Madonna“, responde Gaga.

Algumas partes marcantes:
As dores da Gaga. Sim, isso acontece em inúmeras cenas. Dói na gente também ver a dor que ela sente durante essas cenas. No Twitter, dias atrás, a cantora revelou que sofre de fibromialgia, síndrome que causa dores crônicas. E isso é visto em inúmeras vezes no documentário. O problema mais agravante acontece no dia do aniversário de Tony Bennett. Gaga iria se apresentar na festa, mas, minutos antes, aparece em seu apartamento em Nova York deitada no sofá com assistentes ao redor e um cachorrinho preocupadíssimo com ela. Ela está chorando de dor, sem saber o que fazer até receber umas massagens loucas e torções pesadas de uma massoterapeuta e ficar bem para sair.

Uma cena favorita minha é… quando Gaga desce de shortinho jeans, camiseta e sem maquiagem para encontrar os fãs na porta do hotel. Nesse momento, o documentário faz uma brincadeira e começa a mostrar todos os momentos anteriores em que isso aconteceu, numa época em que Gaga, anos atrás, usava roupas absurdas e loucas. É uma edição perfeita, mostrando vários vídeos da cantora encontrando fãs em portas de hotéis usando os looks mais incríveis junto com a cena de agora, exibindo uma Gaga “limpa” e normalzinha. Tem até o famoso “yas, Gagaaaa” nessa compilação.

O sangue no VMA… Gaga também fala sobre o que as pessoas esperam dela na música pop. “A metodologia por trás do que eu faço é que quando eles querem que eu seja sexy, quando querem que eu seja pop, eu coloco uma porra duma virada nisso para eu sentir que ainda tinha o controle da coisa. Se eu tenho que ser sexy no VMA cantando sobre os paparazzi, eu vou fazer isso enquanto eu fico sangrando no palco para lembrar a todos o que a fama fez com a Marilyn Monroe, a Norma Jeane original. Ou com a Anna Nicole Smith. Ou com…“, Gaga faz uma pausa, olha para o amigo ao lado, lamenta com a cabeça e diz: “Você sabe quem…“, dando a entender que seria ela.

Na primeira reunião do Super Bowl… todo mundo está na casa da Gaga, incluindo o diretor do show do intervalo, o Hamish Hamilton, que já dirigiu milhões de VMAs e premiações famosas do entretenimento. Gaga diz que, antes de mais nada, prefere surpreender e fazer o oposto do que todo mundo acha que ela vai fazer. Ela avisa que não quer aparecer chegando num trono (oi, Madonna, de novo!), nem com milhões de homens sem camisa (ainda Madonna?), nem com um vestido de carne ou unicórnios. “E no final da apresentação eu quero fazer algo chocante, que vai chocar todo mundo“.

A gravação de “A-YO” é ótima. Durante a criação de uma das melhores músicas do disco a gente vê Gaga se jogando com a batida da música no estúdio com o Mark Ronson.

“American Horror Story”: Nós vemos também cenas de Gaga gravando a sexta temporada de “AHS”, colocando aquela maquiagem e cabelo assustadores e dando um esporro na equipe por conta de um bafo que rolou lá.

Preparem-se para um ao vivo de “Bad Romance” que ela faz ao piano. Gaga transforma a música num jazz maravilhoso. A qualidade do som está perfeita e ela está linda de preto.

Dúvida sobre os fãs: “Você acha que meus fãs mais antigos vão ficar desapontados por eu não estar toda arrumada?“, pergunta Gaga no set de gravações de “Perfect Illusion” com o figurino do clipe.

A cena na Walmart é incrível! Gaga procura pelo “Joanne” nas prateleiras e não acha. Ela procura um vendedor, ele não a reconhece, diz que não sabe onde está o CD; ela manda chamar o gerente e ele também não a reconhece (é a Gaga versão limpinha, gente!). Não vou contar mais senão estraga, mas ela faz mais coisas engraçadíssimas lá dentro.

Mas é bom? Por que chama “Five Foot Two”?
O documentário é um prato cheio para os fãs conhecerem ainda mais a cantora, ficarem mais próximos dela, entenderem o processo de criação, rirem com ela e chorarem com ela (acredite em mim, isso vai acontecer). Mas talvez o documentário possa desagradar aqueles que não são tão fãs e não se interessam tanto assim pelos detalhes e estejam mais em busca das músicas famosas, apresentações grandiosas e Gaga espalhafatosa. Não vão encontrar. Pra isso você tem que ir na turnê dela, queridinho. Ou ver a mãe-monstra no Rock in Rio.

Mesmo tendo trechos de apresentações ali e aqui, “Gaga: Five Foot Two” procura mesmo é vender é a intimidade, mostrando a cantora despida (em todos os sentidos).

Aliás, Gaga não explica em nenhum momento o motivo do filme se chamar “Five Foot Two” (além do fato de ser a altura dela, 1,57m, no sistema métrico americano), mas a intenção é clara se você conhece a música. Esse nome é de uma canção famosa dos anos 20, um jazz que aparece bem sutilmente no documentário quando ela vai no batizado da filha de um dos membros de sua banda de jazz. Na festa, perambulando entre as mesas de convidados, o amigo de Gaga toca essa música no palco. Quer saber como é a letra? Ela conta a história de um homem procurando a garota da vida dele e avisando todo mundo que se ela aparecer coberta de casacos de peles e jóias, certamente essas coisas não são dela, dando a entender que isso não faz ela ser o que ela realmente é.

Tá explicado?

Bruce Springsteen on Broadway – Netflix

Bruce Springsteen desfila hits e histórias em trailer de especial da Netflix

Bruce Springsteen mistura hits de sua carreira, como “Born to Run”, com histórias íntimas sobre sua família e a origem de suas letras no primeiro trailer de “Springsteen on Broadway”, especial da Netflix inspirado em shows do artista no famoso distrito teatral nova-iorquino. “Quando eu era um jovem garoto, procurando por uma voz para contar as minhas histórias, eu escolhi a voz do meu pai”, diz Sprinsgteen no começo do vídeo. “Meu pai foi o meu herói, e o meu maior inimigo”

“Minha mãe era uma história bem diferente. Gentileza, otimismo, civilidade. Ela me fez entender, pela primeira vez, como é bom sentir orgulho de alguém que você ama”, conta em outro trecho. Springsteen ainda canta ao lado da esposa, Patti Scialfa, e se derrete em elogios para ela. “Ela é uma ótima compositora, uma das vozes mais incríveis que eu já ouvi. Ela é inteligente, durona… Mas frágil”, brinca. Terminando em uma nota bem-humorada, o músico fala sobre sua “relação de amor e ódio” com a cidade natal, Long Branch. “Eu sou o sr. ‘Born to Run’ [‘Nascido para Correr’, em tradução livre], mas hoje moro há dez minutos da minha cidade natal”, comenta.