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O Ovo da Serpente

O Ovo da Serpente (Ciclo: Ingmar Bergman – Utopias Cult)

Assistir ao filme O Ovo da Serpente é como sentir um soco no estômago e ficar sem ar por alguns minutos. Não é à toa que esta produção de Ingmar Bergman é um dos seus trabalhos mais contundentes e que talvez seja o mais conhecido do grande público. Com certeza é o mais político e intenso trabalho de reconstituição de época e um olhar crítico sobre a Alemanha antes do surgimento do Nazismo. Liv Ullmann com seu olhar intenso e sua interpretação soberba dão ao filme toda a dramaticidade que o diretor exige. Não é por menos que Liv Ullmann é a atriz preferida de seus trabalhos. Tanto a admira como atriz e como mulher que casou com ela. David Carradine também está perfeito no papel do judeu Abel Rosenberg. Abel Rosenberg, um trapezista judeu desempregado, está em Berlim em Novembro de 1923 para tentar descobrir a razão do suicídio de seu irmão. A Alemanha está em crise na república de Waimar em razão da primeira guerra mundial. O povo vive em constantes crises existenciais, econômicas e sociais e o poder político está em franco declínio e os cidadãos vivem sem uma perspectiva de futuro. Neste ambiente de caos o “ovo da serpente” encontra ambiente propício para ser chocado e eclodir com força e mudar os destinos do mundo e da Alemanha. Abel encontra abrigo em um apartamento de um cientista que também lhe oferece um emprego. Sua cunhada vive como corista em uma boate de quinta categoria e mora em uma pensão e ambos acabam se relacionando nesta semana tumultuada. A solidão de ambos, a miséria em que vivem e o futuro sem futuro os colocam numa situação constrangedora de viver um caso tumultuado. No trabalho Abel desconfia que alguma coisa está errada e, ao investigar o tal cientista, descobre que ele está fazendo experiências humanas em nome da ciência médica e da supremacia ariana e encontra respostas para o suicídio do irmão. A fome, o desemprego, a superinflação e a violência urbana criam situações de desespero geral aumentando o descontentamento de uma nação criando assim um ambiente favorável para que Hitler encontre eco a sua megalomania de um poder absoluto e tirano. Acima de tudo, encontra um povo disposto a elevá-lo ao topo da hierarquia indiferente aos seus métodos racistas e cruéis. Um retrato fiel de uma Alemanha em crise e uma profunda reflexão sobre as origens do nazismo. O título do filme é uma síntese perfeita das condições que permitiu o surgimento de Hitler e seu regime nazista. Não é um filme para se assistir indiferente e a reflexão se faz necessário até para que não venhamos a cair na mesma armadilha de sermos salvos por falsos heróis e salvadores da pátria egocêntricos e racistas.

O ovo da serpente (Das Schlangenei Alemanha /The Serpent’s Egg Estados Unidos) é um filme estadunidense e alemão de 1977, produzido por Dino De Laurentiis, dirigido por Ingmar Bergmaneditado por Petra von Oelffen, trilha sonora de Rolf A. Wilhelmdireção de arte de Werner Achmann, fotografia de Sven Nykvist, e estrelando David Carradine como Abel Rosenberg. É ambientado na Berlim dos anos 20.

Este foi o único filme hollywoodiano de Bergman. O título foi retirado de uma linha falada por Brutus na obra de Shakespeare Julius Caesar:

Sinopse
Em Berlim, novembro de 1923, os habitantes nativos estão oprimidos pela hiperinflação e temendo pelo futuro com a crise política. O trapezista judeu de circo norte-americano, Abel Rosenberg, chega à pensão onde mora e encontra seu irmão, o também artista Max, morto. Ele havia se suicidado com um tiro na boca. Os dois haviam brigado e não estavam mais trabalhando e Abel começara a beber sem parar. Ele vai a polícia e é ouvido pelo Inspetor Bauer e depois procura por Manuela, ex-esposa de Max e também artista. Ele se surpreende ao encontrá-la se apresentando em um bordel. Os dois procuram se ajudar e vão morar juntos, mas Abel se irrita quando Manuela lhe conta sobre seu relacionamento com Vergérus, um antigo conhecido detestado por ele. Despejados de onde estavam, Manuela acaba aceitando um quarto oferecido por Vergérus, e Abel fica com ela, apesar de contrariado, concordando também com um emprego de arquivista na clínica onde Vergérus trabalha. O inspetor chama Abel e lhe mostra vários cadáveres no necrotério, de pessoas conhecidas do rapaz. Abel pensa que é suspeito e tenta fugir desesperadamente mas é detido pelos policiais. Porém, é solto logo depois, sem explicações. Enquanto isso, Manuela parece cada vez mais doente.

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