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Utopias

Saibot no Utopias

No Utopias, o sábio não é um homem solitário

No Utopias, o sábio não é um homem solitário

“Aldir Blanc possui uma obra fantástica que não é ouvida. As pessoas não estão falando nada. Nossa juventude está morrendo por nada”.

“Dói perceber que nossa geração lutou e sofreu tanto por nada”.

“Tento ser porta-voz do que vivi e valeu a pena”.

“Um honesto em Brasília é como um cego num arrastão”.

“Para que serve um bumbum definido se a cabeça é vazia?”

“O que mata de verdade é a preocupação”.

“O sábio é um homem solitário”.

“Desde quando sorrir é ser feliz? Cantar nunca foi só de alegria”.

“Quando o tempo está ruim, todo mundo também deseja ‘bom dia’”.

Ontem, levei meus filhos na Terça Autoral, no Utopias, e pude conviver com poetas iluminados em noite de muita energia. Tudo regido pelo mestre Jorge Benzê, que alternava músicas de letras geniais com fundo musical para os poetas presentes.

As frases acima são uma pequena amostra da lição de vida vivida. Tudo regado com Original gelada e batata frita.

Mônica Braga, Marcelo Atahualpa e a jovem Naiara nos proporcionaram intensos momentos de poesia e reflexão.

Se as sextas-feiras (Cinema Comentado) já eram obrigatórias, agora, as terças, com esses deliciosos saraus, passarão a ter prioridade na nossa agenda cultural.

Não Concordo Com Uma Palavra Do Que Dizes, mas Defenderei Até a Morte o Direito de Dizê-las

Não Concordo Com Uma Palavra Do Que Dizes, mas Defenderei Até a Morte o Direito de Dizê-las

Tenho usufruido do Cinema Comentado, no Utopias Cult, que promove debates interessantes após a exibição de filmes emblemáticos todas as sextas-feiras. O espaço, que tem o dinâmico professor Gérson Dudus como programador cultural, apresenta ciclos temáticos.

Costumo levar meus filhos e eles adoram, quando chegamos em casa, rediscutir os temas já desenvolvidos no Utopias. Desfrutamos de Ingmar Bergman, da Forma da Água, da Terra em Transe, do Fahrenheit 451, sempre acompanhados de petiscos deliciosos, de refrigerantes, e de bom vinho chileno.

Na última sexta, a magia se inverteu. Foi apresentado um documentário desconhecido, chamado “Hierarquia – Conversas depois de um fim de um mundo”.

O filme, produzido em longa metragem por Mário Salimon, envereda pelas ideias do filósofo Augusto de Franco e do “emaranhado” de pessoas com que ele convive. Neste filme de cerca de hora e meia, discutem-se temas oportunos e quentes como escolarização, democracia, redes, autocracia e, é claro, o papel da hierarquia no tecido da sociedade.

Essa experiência me fez reviver uma máxima: “Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la”, frase atribuida ao filósofo francês Voltaire.

Como o próprio Augusto de Franco se auto-define, quando indagado por sua formação, ele é escritor e palestrante por causa da sua ‘deformação’.

Só sei que me senti profundamente incomodado durante toda a exibição. E mais incomodado ainda durante a discussão. Não me omiti de ser o contra-ponto numa discussão em que a anarquia foi bravamente defendida.

Para início de conversa, a hierarquia já existe quando lemos um livro, ou assistimos um filme. A voz do autor tem mais ‘força’ do que a sua. As pessoas tendem a acreditar que os livros estão sempre certos.

A hierarquia prossegue na organização do debate. Toda discussão necessita, obrigatoriamente, de um mediador. Eu, por exemplo, quando contrapunha um ponto de vista, tinha que esperar várias opinões divergentes para poder desenvolver um raciocínio na base do contraditório. A ordenação das falas possuía um Dudus mediador. E tinha mesmo que ser assim. O ser humano não possui disciplina, educação e bom senso suficiente para se organizar sem hierarquia.

Longe de mim falar que o filme é inverídico. Ele questiona valores fundamentais.

Política, religião, família… nada fica impune. A anarquia é exaltada.

Não suporto a anarquia. É lógico que reconheço que moramos num país corrompido moralmente. Um país em que a hierarquia serve para bandalheiras e negócios espúrios. Um Brasil ausente de moral e cívica. Uma ética torta e individualista.

O dinheiro desviado pela corrupção inviabiliza qualquer projeto apresentado. Nosso sistema de ensino, por exemplo, não tem verbas para remunerar professores, nem para manter os equipamentos com a estrutura necessária. Nos países mais ricos, a hierarquia é a base da disciplina e do crescimento. A anarquia sempre fracassou.

É claro que temos lindos exemplos de gestões democráticas. Se houver homogeneidade, alto nível e bom senso entre os participantes, e objetivos semelhantes entre os atores, o grupo pode compartilhar as decisões. Só que até as melhores cooperativas possuem lideranças interventoras.

Enfim, o que quero exaltar não é nada disso. Quero enaltecer a oportunidade de pensar, de ser contraditório, e de discutir em ótimo nível.

Quem quiser experimentar tudo isso é só se agendar para a próxima sexta-feira. Os temas são os mais variados, mas a hierarquia da casa sempre deverá ser respeitada.

no Utopias, debatendo “Eu Sei Que Vou Te Amar”

Eu Sei Que Vou Te Amar (no Utopia Cult – Cinema Comentado – Ciclo: Todas as Formas de Amar)

“Eu sei que vou te amar” é um filme brasileiro de 1986, do gênero drama, dirigido por Arnaldo Jabor.

A direção de fotografia é de Lauro Escorel Filho, os figurinos de Glória Kalil e o cenário é uma casa projetada por Oscar Niemeyer em 1948.

Sinopse

Um jovem casal resolve viver em duas horas um jogo da verdade sobre tudo o que já lhes aconteceu, numa psicanálise filmada.

Fernanda Torres ganha o prêmio de melhor Interpretação feminina, no Festival de Cinema de Cannes, pelo filme Eu Sei que Vou Te Amar , de Arnaldo Jabor.

O Ovo da Serpente (Ciclo: Ingmar Bergman – Utopias Cult)

Assistir ao filme O Ovo da Serpente é como sentir um soco no estômago e ficar sem ar por alguns minutos. Não é à toa que esta produção de Ingmar Bergman é um dos seus trabalhos mais contundentes e que talvez seja o mais conhecido do grande público. Com certeza é o mais político e intenso trabalho de reconstituição de época e um olhar crítico sobre a Alemanha antes do surgimento do Nazismo. Liv Ullmann com seu olhar intenso e sua interpretação soberba dão ao filme toda a dramaticidade que o diretor exige. Não é por menos que Liv Ullmann é a atriz preferida de seus trabalhos. Tanto a admira como atriz e como mulher que casou com ela. David Carradine também está perfeito no papel do judeu Abel Rosenberg. Abel Rosenberg, um trapezista judeu desempregado, está em Berlim em Novembro de 1923 para tentar descobrir a razão do suicídio de seu irmão. A Alemanha está em crise na república de Waimar em razão da primeira guerra mundial. O povo vive em constantes crises existenciais, econômicas e sociais e o poder político está em franco declínio e os cidadãos vivem sem uma perspectiva de futuro. Neste ambiente de caos o “ovo da serpente” encontra ambiente propício para ser chocado e eclodir com força e mudar os destinos do mundo e da Alemanha. Abel encontra abrigo em um apartamento de um cientista que também lhe oferece um emprego. Sua cunhada vive como corista em uma boate de quinta categoria e mora em uma pensão e ambos acabam se relacionando nesta semana tumultuada. A solidão de ambos, a miséria em que vivem e o futuro sem futuro os colocam numa situação constrangedora de viver um caso tumultuado. No trabalho Abel desconfia que alguma coisa está errada e, ao investigar o tal cientista, descobre que ele está fazendo experiências humanas em nome da ciência médica e da supremacia ariana e encontra respostas para o suicídio do irmão. A fome, o desemprego, a superinflação e a violência urbana criam situações de desespero geral aumentando o descontentamento de uma nação criando assim um ambiente favorável para que Hitler encontre eco a sua megalomania de um poder absoluto e tirano. Acima de tudo, encontra um povo disposto a elevá-lo ao topo da hierarquia indiferente aos seus métodos racistas e cruéis. Um retrato fiel de uma Alemanha em crise e uma profunda reflexão sobre as origens do nazismo. O título do filme é uma síntese perfeita das condições que permitiu o surgimento de Hitler e seu regime nazista. Não é um filme para se assistir indiferente e a reflexão se faz necessário até para que não venhamos a cair na mesma armadilha de sermos salvos por falsos heróis e salvadores da pátria egocêntricos e racistas.

O ovo da serpente (Das Schlangenei Alemanha /The Serpent’s Egg Estados Unidos) é um filme estadunidense e alemão de 1977, produzido por Dino De Laurentiis, dirigido por Ingmar Bergmaneditado por Petra von Oelffen, trilha sonora de Rolf A. Wilhelmdireção de arte de Werner Achmann, fotografia de Sven Nykvist, e estrelando David Carradine como Abel Rosenberg. É ambientado na Berlim dos anos 20.

Este foi o único filme hollywoodiano de Bergman. O título foi retirado de uma linha falada por Brutus na obra de Shakespeare Julius Caesar:

Sinopse
Em Berlim, novembro de 1923, os habitantes nativos estão oprimidos pela hiperinflação e temendo pelo futuro com a crise política. O trapezista judeu de circo norte-americano, Abel Rosenberg, chega à pensão onde mora e encontra seu irmão, o também artista Max, morto. Ele havia se suicidado com um tiro na boca. Os dois haviam brigado e não estavam mais trabalhando e Abel começara a beber sem parar. Ele vai a polícia e é ouvido pelo Inspetor Bauer e depois procura por Manuela, ex-esposa de Max e também artista. Ele se surpreende ao encontrá-la se apresentando em um bordel. Os dois procuram se ajudar e vão morar juntos, mas Abel se irrita quando Manuela lhe conta sobre seu relacionamento com Vergérus, um antigo conhecido detestado por ele. Despejados de onde estavam, Manuela acaba aceitando um quarto oferecido por Vergérus, e Abel fica com ela, apesar de contrariado, concordando também com um emprego de arquivista na clínica onde Vergérus trabalha. O inspetor chama Abel e lhe mostra vários cadáveres no necrotério, de pessoas conhecidas do rapaz. Abel pensa que é suspeito e tenta fugir desesperadamente mas é detido pelos policiais. Porém, é solto logo depois, sem explicações. Enquanto isso, Manuela parece cada vez mais doente.

No Utopias, o sábio não é um homem solitário

No Utopias, o sábio não é um homem solitário

“Aldir Blanc possui uma obra fantástica que não é ouvida. As pessoas não estão falando nada. Nossa juventude está morrendo por nada”.

“Dói perceber que nossa geração lutou e sofreu tanto por nada”.

“Tento ser porta-voz do que vivi e valeu a pena”.

“Um honesto em Brasília é como um cego num arrastão”.

“Para que serve um bumbum definido se a cabeça é vazia?”

“O que mata de verdade é a preocupação”.

“O sábio é um homem solitário”.

“Desde quando sorrir é ser feliz? Cantar nunca foi só de alegria”.

“Quando o tempo está ruim, todo mundo também deseja ‘bom dia’”.

Ontem, levei meus filhos na Terça Autoral, no Utopias, e pude conviver com poetas iluminados em noite de muita energia. Tudo regido pelo mestre Jorge Benzê, que alternava músicas de letras geniais com fundo musical para os poetas presentes.

As frases acima são uma pequena amostra da lição de vida vivida. Tudo regado com Original gelada e batata frita.

Mônica Braga, Marcelo Atahualpa e a jovem Naiara nos proporcionaram intensos momentos de poesia e reflexão.

Se as sextas-feiras (Cinema Comentado) já eram obrigatórias, agora, as terças, com esses deliciosos saraus, passarão a ter prioridade na nossa agenda cultural.

“Hierarquia – Conversas depois de um fim de um mundo” – Utopias Cult – Cinema Comentado – Ciclo Bissexto

Não Concordo Com Uma Palavra Do Que Dizes, mas Defenderei Até a Morte o Direito de Dizê-las

Não Concordo Com Uma Palavra Do Que Dizes, mas Defenderei Até a Morte o Direito de Dizê-las

Tenho usufruido do Cinema Comentado, no Utopias Cult, que promove debates interessantes após a exibição de filmes emblemáticos todas as sextas-feiras. O espaço, que tem o dinâmico professor Gérson Dudus como programador cultural, apresenta ciclos temáticos.

Costumo levar meus filhos e eles adoram, quando chegamos em casa, rediscutir os temas já desenvolvidos no Utopias. Desfrutamos de Ingmar Bergman, da Forma da Água, da Terra em Transe, do Fahrenheit 451, sempre acompanhados de petiscos deliciosos, de refrigerantes, e de bom vinho chileno.

Na última sexta, a magia se inverteu. Foi apresentado um documentário desconhecido, chamado “Hierarquia – Conversas depois de um fim de um mundo”.

O filme, produzido em longa metragem por Mário Salimon, envereda pelas ideias do filósofo Augusto de Franco e do “emaranhado” de pessoas com que ele convive. Neste filme de cerca de hora e meia, discutem-se temas oportunos e quentes como escolarização, democracia, redes, autocracia e, é claro, o papel da hierarquia no tecido da sociedade.

Essa experiência me fez reviver uma máxima: “Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la”, frase atribuida ao filósofo francês Voltaire.

Como o próprio Augusto de Franco se auto-define, quando indagado por sua formação, ele é escritor e palestrante por causa da sua ‘deformação’.

Só sei que me senti profundamente incomodado durante toda a exibição. E mais incomodado ainda durante a discussão. Não me omiti de ser o contra-ponto numa discussão em que a anarquia foi bravamente defendida.

Para início de conversa, a hierarquia já existe quando lemos um livro, ou assistimos um filme. A voz do autor tem mais ‘força’ do que a sua. As pessoas tendem a acreditar que os livros estão sempre certos.

A hierarquia prossegue na organização do debate. Toda discussão necessita, obrigatoriamente, de um mediador. Eu, por exemplo, quando contrapunha um ponto de vista, tinha que esperar várias opinões divergentes para poder desenvolver um raciocínio na base do contraditório. A ordenação das falas possuía um Dudus mediador. E tinha mesmo que ser assim. O ser humano não possui disciplina, educação e bom senso suficiente para se organizar sem hierarquia.

Longe de mim falar que o filme é inverídico. Ele questiona valores fundamentais.

Política, religião, família… nada fica impune. A anarquia é exaltada.

Não suporto a anarquia. É lógico que reconheço que moramos num país corrompido moralmente. Um país em que a hierarquia serve para bandalheiras e negócios espúrios. Um Brasil ausente de moral e cívica. Uma ética torta e individualista.

O dinheiro desviado pela corrupção inviabiliza qualquer projeto apresentado. Nosso sistema de ensino, por exemplo, não tem verbas para remunerar professores, nem para manter os equipamentos com a estrutura necessária. Nos países mais ricos, a hierarquia é a base da disciplina e do crescimento. A anarquia sempre fracassou.

É claro que temos lindos exemplos de gestões democráticas. Se houver homogeneidade, alto nível e bom senso entre os participantes, e objetivos semelhantes entre os atores, o grupo pode compartilhar as decisões. Só que até as melhores cooperativas possuem lideranças interventoras.

Enfim, o que quero exaltar não é nada disso. Quero enaltecer a oportunidade de pensar, de ser contraditório, e de discutir em ótimo nível.

Quem quiser experimentar tudo isso é só se agendar para a próxima sexta-feira. Os temas são os mais variados, mas a hierarquia da casa sempre deverá ser respeitada.

 

Gerson Open Air

Gerson Open Air

MILENA KROLL

Semana passada, vivi uma experiência ímpar. Fui ao Shell Open Air, maior cinema a céu aberto do mundo, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. O filme escolhido foi “Embalos de Sábado A Noite”, que revelou John Travolta. O que mais me impressionou foi a ‘modernidade’ de um filme produzido em 1977. Descobri, inclusive, que o Travolta não ganhou o concurso de dança principal do filme. A juventude do Brooklin, a discriminação dos imigrantes hispânicos, e outros temas pulsantes são abordados com bastante profundidade.

Ontem, fui surpreendido com o convite do professor Gerson Dudus, produtor cultural da Utopias, novo Centro Cultural que está sendo implementado na Vila Carolina, para degustar “Gritos e Sussurros”, de 1972, no Festival Ingmar Bergman, que vem apresentando os principais filmes do genial cineasta, seguidos de comentários produzidos por gente muito inteligente. Além da tela estar fixada em céu aberto, a ‘modernidade’ de um filme produzido no início da década de 70, que expõe a delicada relação entre três irmãs e uma empregada é impressionante.

Levei meus filhos (Milena, 20 anos; Ryan, 16; Hemine, 14) e fiquei muito feliz ao vê-los comentando o filme em casa, antes de dormir. Um filme denso, adulto, rechedo de cenas fortes, marcantes. Uma forma interessante de apresentar as nuances da vida. Afinal de contas, a melhor experiência do mundo é a experiência dos outros.

 

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